Iluminando Vidas

Educação e Respeito

A educação se inicia no lar, onde o indivíduo recebe os primeiros conhecimentos e contatos com o mundo externo. É no lar que são pronunciadas as primeiras palavras e, dentro de um senso comum, iniciam-se os projetos de vida alicerçados em uma visão de mundo. Mesmo a escola ocupando o papel fundamental na criação de um sujeito participativo, não se pode unicamente responsabilizá-la pela formação (educação) das futuras gerações.
Para formar um cidadão participativo, ciente de seus direitos e deveres, precisa-se abordar nas escolas temas como respeito ao próximo, consciência, cidadania, caráter, virtudes e vida social. Estes são valores humanos comuns e encontram-se na maioria das culturas.
A Constituição Federal (BRASIL, 1998) versa que os direitos são iguais para todos, acredita-se que os representantes eleitos pelo povo, não buscam uma formação nessa dimensão, pois um cidadão que questiona poderá por em risco anos de trabalho obscuro, e isso poderá ser muito perigoso, pois o cidadão com consciência critica, interpreta e transforma a sociedade (comunidade), a qual está inserida. Neste sentido, Wonsovicz afirma que:
O objetivo do processo educativo é o de ajudarmos a formar melhores julgamentos, a fim de que possamos modificar nossas vidas de maneira mais criteriosa. Julgamentos não são fins em si mesmos. Nós não experienciamos obras de arte, a fim de julgá-las; julgamos estas, a fim de termos experiências estéticas enriquecedoras. Fazer julgamentos morais não é um fim em si mesmo, é um meio de melhorar a qualidade de vida (2002, p. 14).

Busca-se uma educação libertadora, que retire o indivíduo desse estado omisso em que se encontra: manipulado, domesticado por ideias inculcadas pela mídia e por outras instituições ideologicamente constituídas. Ideias formadas sem reflexão e não se tem consciência disso, pois se julga que estas refletem uma realidade e é o que querem as classes detentoras do poder. Segundo Martín-Barbero, “A única coisa que parece importar decisivamente para os produtores e ‘programadores’ das tecnologias de vídeo é a inovação tecnológica, enquanto o uso social daquelas potencialidades técnicas parece estar fora de seu interesse” (2003, p. 304).
O homem contemporâneo se encontra agregado a uma cultura do silêncio, incapaz de manifestar seus pensamentos. Neste sentido, entende-se que a escola poderá implantar um processo de resistência a essa dominação, contribuindo para uma prática social que realmente seja transformadora “[…] para que as habilidades passem a fazer parte do comportamento do dia-a-dia, elas precisam ser cultivadas em um ambiente que valorize e sustente seu desenvolvimento” (WONSOVICZ, 2002, p. 17).
O mundo respira política e as engrenagens que o faz continuar esse processo de respiração é os votos do povo (analfabetos ou letrados) que elegem democraticamente representantes (legisladores). A Constituição Federal (BRASIL, 1988, p. 19) em seu art. 14º, cap.IV, cita que “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da Lei […]“. Então, por que não repensar essa conduta e lutar por uma educação que se balize no respeito, nos direitos e deveres do cidadão, bem como na ênfase aos valores sociais e morais?
O voto serve para eleger representantes do povo, defensores dos direitos de cidadão, ou seja, constitucionais, aqueles que por falta de conhecimentos, o povo não o faz valer. Tenta-se incentivar a criticidade do indivíduo, seja consciente de seus candidatos (autoridades eleitas pelo voto), que avalie e reavalie o legado deixado por seus partidos, acreditando que a educação que seus filhos terão, dependerá da responsabilidade social que tiverem hoje.
O conhecimento é fundamental para o desenvolvimento da espécie humana e é aí onde entra a escola, com a função competente de aperfeiçoar e ampliar a educação adquirida no lar, estendendo essa educação, do desenvolvimento da autonomia intelectual a pensamento critico dos educando “[…] de raciocínio, de investigação e de formação de conceitos”(WONSOVICZ, 2002, p. 16).
A escola irá fortalecer e despertar os valores morais adormecidos que existe no interior de cada ser humano, mesmo sabendo que essa marcha social está sujeita a contradições. Assim, “[…] a educação escolar, nesta perspectiva, assume o papel de mantenedora da ‘ordem social’ e do domínio imperialista dos países centrais em relação aos periféricos, por meio da inculcação ideológica” (LEÃO, 2004, p. 34).
Em uma sociedade programada para consumir, os valores morais (integridade, respeito, responsabilidade, cooperação, participação, justiça, democracia e excelência) foram se perdendo e aos poucos o respeito ao próximo deixa de existir. Com uma educação na dimensão proposta, busca-se o resgate cultural de condições morais que dão nobreza à sociedade. Assim, a educação/política consciente é capaz de superar os condicionamentos de modelo da cultura de dominação e torna-se questão social a ser refletida.
Busca-se o autodesenvolvimento do adolescente e da comunidade na qual esta inserido por intermédio da educação, do conhecimento adquirido na leitura de mundo, em que se descobre novos valores. Freire (1992), em sua Pedagogia da Esperança, ampliou o conhecimento dos educandos, trabalhando a reflexão crítica de cada um, aumentando a perspectiva de vida do sujeito e fortalecendo sua autoestima, passando de observado a observador.

Fonte e artigo completo: pedagogiaaopedaletra.com

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