Palavra da Semana

A igreja e os castelos

Nós sabemos que a igreja primitiva se reunia principalmente nas casas e tinha muita comunhão. Porém, com o tempo, este hábito foi sendo deixado de lado, e começaram a construir basílicas, catedrais, igrejas que têm tudo a ver com CASTELOS.
Deus queria se relacionar com o homem no dia a dia. Quando a mulher samaritana perguntou a Jesus onde deveríamos adorar a Deus, Jesus disse: “não é nem aqui, nem ali. É EM ESPÍRITO E EM VERDADE” (João 4.23 adp).
Os discípulos de Jesus também caíram na tentação de transformar o evangelho em castelo, quando olharam o templo e o admiraram:

“E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios!
E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada”.
(Marcos 13:1-2)
Jesus quebrou no mesmo momento estes castelinhos da mente deles. “Não ficará pedra sobre pedra” foi sua resposta. E isso deve acontecer com os castelos em nossa mente. Não pode ficar pedra sobre pedra.
Quando a igreja começou a se transformar em castelos, surgiu a Idade Média. Mais de 1000 anos depois começou a Reforma Protestante, mas até hoje lutamos contra os resquícios da Idade Média.
Observamos que as basílicas e catedrais têm tudo a ver com castelos. Possuem até mesmo torres. Isso tem muito significado, pois a religião se transformou num castelo na mente, com algumas características:

FRIEZA: os castelos são frios, feitos de pedra, e a igreja presa na religiosidade fica assim também. Deus chamou seu povo para ser alegre, ter relacionamento com Ele e uns com os outros, e por isso o ideal era a igreja nas casas, sem liturgia e hierarquias. Afinal, pelo sangue de Jesus, todos fomos feitos sacerdotes e levitas. Claro que Deus escolhe alguns para o ministério, mas isso é para treinar os outros.

ORGULHO: assim como nos castelos há elite, reis, rainhas, condes, e tantas coisas do tipo, a igreja religiosa também têm diversas capas religiosas e diversos motivos para se orgulhar pelas “conquistas”. Lembramos da história do fariseu e do publicano orando, o fariseu se gabava por sua posição:

“Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 18:10-13)

ILUSÕES: são as torres. Já parou para se perguntar, por que as grandes igrejas e templos construídos tem torres, e tantas outras características? Tudo que surge no mundo natural tem raiz no espiritual. As torres são ilusões, e muitas pessoas ficam presas em torres em vez de viver a vida real com Deus. Sabemos que as grandes igrejas têm relógios em suas torres, e isso tem um significado. As pessoas presas em torres ficam PRESAS NO TEMPO. Assim como as princesas esperam, esperam e esperam pelo Príncipe das torres, muitos ficam esperando por muito tempo muitas coisas, e em sua mente muitas vezes há o argumento de que estão esperando em Deus, mas na verdade estão passivas, espiritualizando tudo e mistificando. Deveriam estar tomando atitudes e decisões, e não ficar inertes nas torres.

“Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Sl 40.1)

Neste texto acima, o salmista diz que “esperou com paciência” e não com passividade, e enquanto ele esperava, o texto é bem claro em mostrar que ele não estava inerte. Enquanto esperava, ele clamava. Ele fazia algo.

Sabemos que a maioria das coisas que quebrou a religiosidade na Igreja foram coisas que indignaram os religiosos. Movimentos que quebraram protocolos, estes deram abertura à restauração da Igreja pois quebraram os castelos. Veja bem, não estou falando de pecado e rebelião. Estou falando de quebrar fortalezas na mente. O próprio ministério de Jesus quebrou fortalezas dos religiosos da época, indignou os fariseus, mas ele não pecou. Ele só saiu dos castelos.

Portanto, que a igreja, nós, possamos permanecer vivos e cada vez mais abundantes em graça e em toda boa obra, não nos tornando castelos de fantasia e orgulho religioso, mas, sim, VIDA de Deus na Terra.

Deus abençõe,
-Jonathas L Miguel

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